A Portuguesa quase acabou, e o Pacaembu está indo pelo mesmo caminho.

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Com o fechamento do estádio municipal por 2 anos para as reformas, surge a possibilidade de uma parceria com os portuga para o SANTOS mandar alguns jogos no Canindé.

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Canindé que foi palco de inúmeros momentos inesquecíveis do nosso SANTOS e da nossa torcida, especialmente nos anos 70, 80 e 90.

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Era lindo ver o metrô, o viaduto cruzeiro do sul e a marginal tomados pela Nação Santista.

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Torcedores do Santos FC no Estádio Osvaldo Teixeira Duarte (Canindé), na zona norte da capital paulista, durante partida contra a Portuguesa, válida pelo Campeonato Paulista 1989.
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Algumas pequenas confusões também já aconteceram no Osvaldo teixeira Duarte e suas redondezas:
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A grande briga na Copinha de 1979

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Durante o jogo Portuguesa 3×1 Santos, no Canindé, pela Copa São Paulo de Juniores de 1979, começou uma grande briga entre torcedores. Esta foi a cobertura que o Diário Popular fez dos acontecimentos.

17 de janeiro de 1979

Na batalha do Canindé, juiz também apanhou

Cerca de cinquenta feridos em estado grave — alguns com fratura no crânio — , além de muitos outros, em número também impreciso, com contusões generalizadas, um jogador gravemente contundido por um lance violento e o árbitro agredido. Este [foi] o saldo do que prometia ser um bom jogo de futebol entre Portuguesa e Santos, no Canindé, mas que acabou se transformando numa verdadeira batalha campal.

O conflito da torcida, que poderia ser apenas uma dessas brigas a ocupar espaço mínimo nos jornais, ganhou grandes proporções, porque os litigantes tinham ao alcance das mãos armas eficientes: caibros e pedras, utilizados no acabamento das obras do Estádio Independência e que se encontravam esparramados pelo local. A essa munição juntaram-se os mastros de bandeiras, que, partidos ao meio, se converteram em contundentes instrumentos de agressão.

Contemplada no campo, a briga tinha todos os indícios de uma coisa muito bem organizada: os torcedores da Portuguesa, quais soldados treinados, formavam verdadeiros cordões, subindo rapidamente as escadas, para se chocar com a torcida do Santos. Esta revidava, descendo em bloco, pedaços de madeira em riste.

O policiamento era insuficiente. Os trinta soldados em serviço não tinham condição de conter a massa. Quando o reforço policial apareceu, torcedores com ferimentos graves eram levados para o departamento médico do clube. Mas, como eram em número cada vez maior, passaram a ser transportados para hospitais e prontos-socorros.

Muitos torcedores avançaram campo adentro, fugindo de seus perseguidores. E o jogo, talvez por influência dos acontecimentos nas arquibancadas, também esquentou, provocando uma vítima. O goleiro Paulinho foi atingido na cabeça por Dunga. Permaneceu no solo, desmaiado, rosto em sangue: havia sofrido afundamento do malar.

Não havia nenhuma ambulância para remover o rapaz, que foi transferido numa viatura da rádio-patrulha, sendo internado no Hospital Monte Sinai. É indiscutível que este fato tenha contribuído de forma decisiva para incendiar o clima, não só da partida, mas de todo o estádio.

Assim, aos 37 minutos, completamente transtornado, Léo, depois de discutir com Mário, seu companheiro de equipe, deu-lhe um tapa no rosto. Mas não ficou satisfeito e acabou agredindo o juiz Wálter Gabriel Mitre. Ele poderá ser enquadrado na punição de 260 dias, se o fato realmente constar da súmula, conforme garantiu o árbitro.

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Mais de cinquenta saíram machucados

João Atala, do departamento técnico da Federação Paulista de Futebol e elemento de ligação entre a entidade e a Secretaria de Esportes, acha que um conflito como o de ontem não deve ser atribuído a toda a torcida, “mas a meia dúzia de cafajestes, [que] açulam os outros”.

Para ele, essa situação só tem um remédio: a convocação dos líderes das torcidas organizadas, para que contenham os ânimos e convençam os companheiros a torcer apenas. Atala acha também que os acontecimentos verificados dentro do campo — das três expulsões à agressão ao juiz — nada tiveram a ver com o quebra-quebra nas arquibancadas.

Afinal, quantos torcedores foram feridos? As informações são contraditórias. O departamento médico da Portuguesa, por exemplo, informou ter atendido cinquenta pessoas, ao passo que o comandante do policiamento, major Florentino, estimou em quinze, no máximo, o número de ferido que precisaram de assistência médica.

Ao mesmo tempo, sabe-se que muitos torcedores, atingidos por pedras ou paus, foram atendidos em hospitais e prontos-socorros situados nas imediações da área do Canindé. O major disse que, nas condições em que se encontra, o Estádio Independência não oferece condições, em virtude do material de construção espalhado por todos os lugares e servindo como arma para os briguentos.


18 de janeiro de 1979

O major continua fazendo críticas

O major Sebastião Florentino, do 13.º Batalhão da Polícia Militar e responsável pelo policiamento do Estádio do Canindé, repetiu ontem todas as críticas que havia feito logo após o jogo de quarta-feira, quando se verificou um grave conflito entre torcedores.

— Não adianta deslocar um policiamento maciço para aquele local — disse o major — se ele próprio não oferece condições. O material empregado nas obras representa um grande perigo.

O militar acrescentou que “nossa obrigação é dar segurança aos espectadores”:

— Não fugiremos a este dever. E, se o Estádio Independência for confirmado para os jogos restantes do certame, nossa unidade comparecerá para cumprir sua obrigação. Mas faremos isso sob protesto.

Coordenador fala em cancelamento

O diretor da Divisão de Promoções Esportivas e de Lazer da Secretaria Municipal de Esportes e coordenador da Taça Cidade de São Paulo, Fábio Lazzari, considera que os incidentes verificados na quarta-feira poderão ser evitados, se houver um policiamento mais ostensivo.

Mostrando-se preocupado com os acontecimentos e com as vítimas por eles provocados, o diretor admitiu, inclusive, que a Secretaria pode adotar medidas drásticas em relação aos jogos de hoje — e até às finais de sábado.

— Se for constatado que o Estádio Independência não oferece condições de segurança, poderemos fazer os jogos com portões fechados. Em último caso, é possível, mesmo, que eles venham a ser cancelados.

As condições de segurança mencionadas por Lazzari dizem respeito unicamente ao policiamento.

O triste saldo daquela quarta-feira

Não existe possibilidade de se fazer um levantamento preciso sobre o sinistro balanço das brigas de anteontem, no estádio da Portuguesa. O próprio departamento médico do clube, na quarta-feira, preocupou-se em atender os feridos, sem tempo para organizar um registro exato sobre o número de atendidos.

Muitos torcedores foram encaminhados para o Pronto-Socorro de Santana, ao passo que outros eram levados para o Hospital Monte Sinai ou à Santa Casa de Misericórdia. A esse número, acrescentam-se aqueles que foram removidos por familiares e amigos, para diferentes postos de atendimento. A quantidade de feridos leves é incalculável. Só o 13.º Distrito Policial registrou o atendimento de setenta pessoas.

No cenário do jogo, duas vítimas. Uma delas, o goleiro Paulinho, do Santos — contundido num choque acidental com Dunga — , foi hospitalizado no Monte Sinais, com afundamento do malar e suspeita de fratura no crânio. O lateral Paraná, da Portuguesa, foi retirado de campo com suspeita de ruptura dos ligamentos.

Um caso de negligência

A essa altura, não tem nenhum sentido tentar a localização da torcida culpada pelo fogo ateado no rastilho que fez explodir os ânimos anteontem, no campo da Portuguesa. As cenas, exaustivamente mostradas pela televisão, oferecem uma fria anatomia do comportamento humano, que separa a tolerância da paixão e esta do irracional. Eis aí um excelente prato para psiquiatras, sociólogos e psicanalistas.

Não é nenhuma novidade a tese de que um estádio de futebol reúne um vasto laboratório de paixões humanas. Nas arquibancadas e nas gerais, o torcedor é um exasperado em potencial, que, durante o tempo da partida, não é contido pelas amarras impostas pela sociedade. Ele se sente seguro da impunidade. Por causa disso, insulta a árvore genealógica do árbitro. Das palavras à ação, é apenas um passo — basta que lhe ofereçam condições para isso; é suficiente que se sinta provocado.

E o estádio da Portuguesa, como estava na quarta-feira e certamente estará hoje, é um campo de batalha ideal. A arma que o torcedor não pode levar para o estádio está à sua disposição dentro dele, em forma de pedras e de madeira, usados nas obras em andamento. Não estamos descobrindo a América: no ano passado, o coronel Nei Vieira, da Polícia Militar, que integrava uma equipe de vistoria dos estádios, elaborou um relatório a respeito do campo da Portuguesa. Seu conteúdo continua sendo um verdadeiro libelo. Naquela época, além de apresentar as condições deficientes do local, o coronel advertiu sobre os perigos que ele representava e manifestou-se frontalmente contrário à sua utilização.

Este relatório foi encaminhado à Federação Paulista de Futebol. Ignoram-se quais as providências adotadas pela entidade, que continuou e continua fixando jogos para aquele campo. Como ultimamente têm sumido documentos do prédio, é possível que o relatório tenha sido desviado. E pode ser até que, qualquer dia desses, seja exibido publicamente por um dos Rípolis da vida [referência a Romeu Italo Ripoli, presidente do XV de Piracicaba, um dirigente que costumava criticar a FPF nessa época] — tudo dependeria, então, da situação política da FPF.

Mas, para que ninguém alegue ignorância, o Popular da Tarde [jornal publicado entre 1968 e 1988, que pertencia ao mesmo grupo do Diário Popular] publicou o parecer do coronel. Os leitores sabem o que aconteceu? O presidente da Portuguesa, em vez de se apressar em dar informações sobre a rápida conclusão das obras, fez um desmentido formal a respeito da denúncia.

E foi além: processou o autor da reportagem, acusando-o de divulgar inverdades. Na quarta-feira, esse dirigente deve ter-se convencido das razões da denúncia. É penoso que, para tanto, fossem necessárias tantas cenas de selvageria, tantas vítimas, algumas em estado grave. Não nos surpreenderá se aquele presidente pedir outro processo, agora contra este jornal, pelo noticiário dos acontecimentos de quarta-feira e por este comentário.

O estádio da Portuguesa não significa uma obra pessoal do seu presidente. Ele é o resultado do esforço da coletividade do clube, da grande massa rubro-verde, que paga suas mensalidades e que, de uma forma ou de outra, procura prestigiar o time de um craque só. Quando se critica sua utilização, não se subestima o trabalho do clube — ao contrário. Nós queremos que fique pronto, queremos preservá-lo, em nome do quadro associativo da Portuguesa e do futebol paulista, que ficará enriquecido.

Mas não confundimos a figura do presidente com o estádio que se constrói. Aquele passará — com a maior rapidez possível, ao passo que este será indestrutível. E, quando realmente estiver terminado, quando for cenário de grandes jogos, naqueles momentos de festa, os incidentes de anteontem servirão apenas como um lamentável exemplo de negligência administrativa. Quanto ao presidente, ninguém mais se lembrará dele.

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A violência uniformizada

Um quebra-quebra como o de anteontem não deve ser examinado isoladamente. Faz parte de um contexto — mas não de um fenômeno social, conforme se pretende classificar. As violências fora do campo e dentro dele não chegam a ser um mistério tão grande. O choque entre as torcidas, como se procura demonstrar nesta página, não alcançaria tamanha dimensão, se as advertências tivessem sido levadas a sério.

Mas é tempo de se debater o papel das torcidas organizadas, um produto do futebol que, infelizmente, está está contribuindo para que o interesse por ele seja destruído. O que seria simplesmente um grupo de pessoas dedicadas à inocente diversão de torcer para seu clube, identificadas por uma mesma camisa, está se transformando num perigoso combustível a incendiar gerais e arquibancadas.

As torcidas — existem clubes que contam com mais de vinte — não têm nenhuma espécie de vínculo jurídico com o clube por que torcem. Mas este se serve delas, como força eleitoral. Daí a existência de antagonismo entre facções de uma mesma agremiação. O sócio regular do clube é sujeito a regulamentos. Sua inscrição permite identificá-lo legalmente. Contrariando as normas do clube, comportando-se inconvenientemente dentro dele, está sujeito, inclusive, a expulsão.

As torcidas organizadas não têm qualquer critério para inscrição. Daí é fácil entender que qualquer indivíduo possa integrá-las. Vários indivíduos juntos formam um grupo perigoso; uma multidão deles é a ameaça constante. Eles se infiltram nos estádios, não com o propósito de ajudar a grande festa do futebol, mas para promover desordem. Não estamos inventando nada disso. É só verificar nos arquivos de fotografias.

E os mastros, originalmente confeccionados para levantar as bandeiras, passam a ter uma outra finalidade: agredir. Eles são introduzidos nos campos de futebol, às centenas. As torcidas organizadas têm lugares privativos nos estádios, outros torcedores não podem se sentar ali, embora tenham pago exatamente a mesma importância pelo ingresso. Naquela terra de ninguém, são absolutos. Ai daquele que reclamar contra palavrões, gestos obscenos, bagaços de laranja jogados a esmo!

E o pacífico torcedor, que costuma, aos domingos, encontrar-se com o seu prazer de um jogo de futebol, está sendo expulso dos estádios, juntamente com seus filhos. Porque a mulher, a noiva, a namorada, faz tempo que não vai. Diante do que está acontecendo, ninguém se surpreenderá se, num desses entreveros, a polícia deparar com um caso de estupro.

19 de janeiro de 1979

Torcedores, soldados e cães. A paz no Canindé

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Nunca se viu tanta polícia num estádio de futebol. Por causa disso, embora o público fosse tão numeroso quanto o da última rodada, quando aconteceu aquela briga toda, não houve um incidente de gravidade. Do lado de fora do estádio, viam-se três caminhões da tropa de choque, que distribuíram soldados da PM por todas as entradas, no meio da torcida e dentro do campo.

As vigas de madeira, que serviram de armas para os torcedores, na quarta-feira, foram quase todas retiradas. Perto das que sobraram, mais soldados. No campo, soldados e cães pastores alemães. De frente para o público, vigiando e cercando todo o gramado. Poucos repórteres se arriscaram a passar perto dos animais, independentemente de todas as garantias oferecidas pelos domadores.

Com tudo isso, era impossível qualquer briga. Só uma aconteceu, mas foi logo dispersada e não teve nenhuma gravidade. A torcida voltava a se comportar. Comportar-se em termos, pois os palavrões, brincadeiras e agressões verbais ao juiz, e mesmo gozações com os soldados, eram tolerados. Não houve invasão de campo, não houve garrafadas. Poucas bandeiras apareceram. Portanto, poucos mastros. Calmaria no Canindé.

Fonte:

SANTOS CAMPEÃO DA COPINHA 84

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Estamos à procura de mais material referente ao SANTOS FC no Canindé, e em breve o post será atualizado.

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